Como mudar de carreira com planejamento, foco e determinação

Muitas vezes, ao percebermos que algo vai mal na carreira, ou que a busca por uma recolocação não chega, é necessário Mudar de Carreira. Para essa transição dar certo, é necessário planejamento, foco e determinação.

 Na hora de realizar uma transição, pensar numa nova forma de atuação, seja uma nova profissão, montar uma empresa ou empreender de forma autônoma (ser um freelancer, por exemplo), podem ser opções.

 Este artigo tem como objetivo dar detalhes sobre como mudar de carreira de forma segura e com planejamento.

Quem encara uma transição de carreira normalmente passa por 4 fases:

 

  • Decidir se chegou a hora certa de mudar.
  • Escolher qual caminho seguir.
  • Identificar como superar o medo – e se atirar com cautela na nova etapa.
  • Saber quais são os passos necessários e certeiros para seguir em frente e vencer!

 

Neste artigo, falarei principalmente sobre o 4º item:

 

Como seguir em frente, vencer a ansiedade inicial, respirar fundo e seguir confiante rumo à mudança profissional.

 

Como mudar de carreira em 4 etapas

Etapa 1 – Planejar o futuro

 

Antes de qualquer caminhada, é importante ter uma mínima noção de: ONDE VOCÊ QUER CHEGAR.

 

Na estória de Alice no país das maravilhas, há um trecho onde Alice está perdida e encontra o Gato em cima de uma árvore. Ao vê-lo, surge o diálogo:

 

 

– O senhor pode me ajudar?
– Claro. Responde o Gato.
– Para onde vai essa estrada? – pergunta Alice.
– Para aonde você quer ir?
– Eu não sei. Estou perdida.
– Para quem não sabe para aonde vai, qualquer caminho serve.

 

 

 

 

a) Clareza

 

Então, antes de sair fazendo cursos, contatos, investindo tempo e dinheiro baseado no que você PRECISA FAZER HOJE, tenha a mínima noção do que VOCÊ REALMENTE busca a longo prazo.

 

Você não precisa ter clareza total, saber detalhadamente cada etapa do caminho, mas precisa ter a visão macro sobre:

 

  • O que busca – O que te motiva, quais sonhos quer realizar, quais realizações deseja ter.
  • O que é fundamental na sua vida – Do que você não abre mão, quais sãos as coisas, pessoas ou momentos valiosos na sua vida. Por exemplo, se almoçar com a família todos finais de semana é fundamental para você, uma atividade que envolva viagens ou trabalho aos finais de semana pode acabar sendo frustrante.
  • Quais são os seus valores – Dentro de você existem conceitos éticos, morais e filosóficos que devem ser respeitados para que você tenha o senso de pertencimento e engajamento no trabalho que precisar realizar.

 

 

E aqui, o assunto não é apenas carreira. É a soma de tudo o que te faz pleno, realizado.

 

 

 b) Pé no chão:

Olhe para suas finanças. Quanto tempo de fôlego financeiro você possui até conseguir que seu novo projeto – seja uma empresa faturando ou que a nova carreira aconteça?

 

 

Qual a previsão de entradas e saídas no próximo ano?

A conta fecha?

 

 

 

 

Para este exercício, sugiro o seguinte:

 

Pense no pior cenário, tanto para gastos, como para entradas. Considere todas despesas altas, sem cortes, economias ou ajudas. E considere as entradas mínimas, como se não entrasse um real na sua conta.

E aí. Como ficou sua conta?

Você segue em frente mesmo assim, ou precisa aumentar sua reserva, ter ganhos extras, de outras fontes, fazer ajustes?

Essa análise tenebrosa vai te apoiar nos momentos difíceis. Porque se você topar seguir em frente olhando pro pior cenário, nada do que acontecer depois, financeiramente falando, irá te desestabilizar.

 

 

E acredite: muitos casamentos se desestabilizam e sociedades terminam quando o dinheiro desaparece da conta.

Um dos grandes problemas para quem pretende mudar de carreira é justamente a falta de um planejamento financeiro, ou planejamento incorreto. Toda mudança de profissão requer desafios neste aspecto.

 

 c) Olho no retrovisor:

Análise de mercado e concorrência

 

Não importa se a ideia é um negócio próprio, ser freelancer ou tentar uma nova carreira.

Olhe para o mercado atual e analise tendências futuras. A internet é hoje uma grande aliada, tem tudo no Google! Basta se dedicar, pesquisar e separar o que é relevante.

 

 

Duas certezas da vida:

 

  • Muitas coisas vão continuar surgindo e desaparecendo, da noite para o dia.
  • Nem tudo que dá certo para todo mundo, dará certo pra você (como sua mãe dizia, você não é todo mundo)!


Não fique no achismo. Não ache que o segmento que pretende atuar é sempre fácil. Você precisa entender bem como é o mercado que pretende atuar, seja empreendedor ou mudança de carreira.

 

Se você vai empreender, monte um plano de negócios, pesquise, teste, valide.

Converse com as pessoas, não tenha medo de expor sua ideia. É isso que irá validá-la.

E as pessoas (ao menos a maioria) não irão criticar sua ideia porque tem inveja de você – e sim, porque a ideia é ruim mesmo. Leve isso em consideração e vá ajustando o plano inicial.

Se tem um aprendizado bom nesta fase é não levar as criticas e negativas que vai ouvir como algo pessoal. E também aprender que mesmo quem te incentiva, pode nunca comprar nada de você, nem te contratar.

Saiba separar fãs e amigos, de clientes ou contratantes em potencial. Os primeiros te aplaudem, os segundos – que são muito mais críticos – serão os que investem em você.

 

 

Ilustração sobre como mudar de carreira e profissão

 

Aproveite para ler também 4 passos para transição de carreira

2o Passo – Planejar o agora

 

Hora de entrar em ação. Nesta fase, uma competência será fundamental: FOCO.

 

Principais pontos de desvio do Foco:

 

Excesso de atividades – Perder tempo executando atividades que não precisam ser realizadas naquele momento é uma grande perda de tempo profissional. É necessário definir prioridade: qual atividade realmente é importante, que trará resultados concretos para o que você deseja? É por esta atividade que você deve começar o dia.

 

O trabalho que não é trabalho – Somos acostumados a trabalhar numa empresa, temos modelos enraizados em nosso cérebro sobre “o que é considerado trabalho”. Logo, ao ficar no computador na sala de casa, você tem altas chances de ser interrompido – a família não irá aceitar que você está trabalhando, irá te solicitar coisas que irão te tirar o foco. Ou então, você mesmo definirá no meio do dia que tem coisas “mais importantes” para fazer do que estudar ou prospectar clientes, como arrumar os livros ou organizar as gavetas do escritório.

 

Estabeleça horários e locais de trabalho, mesmo trabalhando em casa. Sinalize os momentos em que precisa ter foco (usar fones de ouvido ou se isolar num ambiente ajudam).

 

Utilizar espaços de trabalho compartilhado, como os coworkings, ajuda muito. Eu mesma optei por trabalhar num espaço assim, super bacana.

O que vale nesta hora: identificar um local que, além das facilidades disponíveis, possua uma rede de profissionais em sintonia com seu momento, para ampliar e fortalecer não apenas seu networking mas também sua rede de colaboração e conhecimento.

 

 

Distrações – Seja a rede social, a notificação de mensagem no celular, as abas abertas no navegador ou um colega que não para de falar, as distrações são responsáveis pela perda de contexto, que faz com que nosso cérebro gaste tempo “voltando para onde estava antes de ser interrompido”. Como evitar distrações: remova o máximo de interferências possíveis.

 

A técnica Pomodoro para gestão do tempo é bem útil nestas horas. Consiste em colocar um cronômetro marcando 25 minutos. Neste tempo, você deve focar numa única atividade. Ao final uma pausa de 5 minutos, também cronometrada, para distrações em geral. E volta no ciclo.

 

 

Planeje seu desenvolvimento:

Tenha clareza sobre o que você precisa desenvolver, em você, para alcançar os objetivos que busca. Uma forma simples de elaborar seu plano de desenvolvimento é olhar para o CHA:

Conhecimentos – Habilidades – Atitudes

 

Liste:

  • Quais conhecimentos (técnicos ou teóricos) precisa desenvolver.
  • Quais habilidades (experiências e vivências) necessita.
  • Quais são as atitudes (comportamentos) que ajudarão você nesta jornada.

 

Não tem problema se imediatamente você não souber. Identifique o que já está perceptível e depois, converse com profissionais da nova área e fique atento às suas dificuldades. Estes serão os maiores filtros sobre o que é necessário desenvolver.

 

Vá atualizando a sua lista de desenvolvimento, conforme se aprofundar mais na transição de carreira.

 

Defina ações para cada um dos itens levantados.

Depois, enumere todos eles, por prioridade, sendo o 1 o mais urgente ou impactante para a transição.

 

 

Planeje suas ações:

 

Semanalmente olhe para tudo o que busca, o que precisa desenvolver e realizar, e defina as metas e prioridades da semana. Pode ser uma agenda, um caderno ou aplicativo (como o Trello), onde você irá gerenciar as atividades.

 

 

 

 

3o Passo – Rasgue o planejamento!

 

O planejamento para mim é uma bússola, não um mapa.

 

Ou seja, ele dá uma orientação, mostra o rumo, mas não traça exatamente o caminho a ser seguido.

 

Com a bússola na mão, sabendo que está andando na direção certa, desvios e atalhos (também conhecidos como oportunidades) vão surgir, assim como distrações e precipícios.

 

Estar de olhos bem abertos, atento para separar o que é oportunidade do que é perda de tempo fará toda diferença na trajetória.

 

A resiliência, a perspicácia, a coragem, a positividade e a criatividade farão toda diferença nesta etapa.

 

 

Quando você faz um planejamento, tudo é maravilhoso, o papel aceita tudo.

Mas saber adaptar e reagir rapidamente e de forma positiva aos percalços do caminho é o que garantem o sucesso de um negócio ou carreira.

 

Acredite, se tudo der certo, muita coisa sairá diferente do planejado. Que bom.

 

 

O caminho se faz caminhando.

 

7 dicas para ajudar você a estar atento – e não se perder ou desistir no caminho:

 

  • A empolgação e a motivação começam algo. O propósito é o que mantém ele vivo nos momentos de dificuldade.
  • Cerque-se de pessoas que te apoiam. Não tente convencer as que não acreditam em você. O seu exemplo provará que você estava certo, mais pra frente.
  • Considere um plano B, C, D, E, F para renda alternativa… e isso não significa que você não acredita no plano A e sim que você pode ter contas pra pagar – e que para não se desesperar com o tempo necessário para algo se consolidar – tendo outras fontes de renda, ajudará a manter o plano principal em ação.
  • Cada pessoa tem um ritmo e competências diferentes, não se compare.
  • Não queira convencer ninguém a vir pro seu lado, e não se deixe convencer de que você é louco.
  • Faça networking, busque parcerias e pessoas que estejam no mesmo momento que você.
  • Busque mentores e fontes de inspiração – pessoas que já trilharam um caminho parecido com o seu, para te inspirar e orientar.

 

 

Não se esqueça, a sorte chega pra quem trabalha duro e acredita em si mesmo.

 

 

Neste vídeo eu falo sobre Como planejar a sua transição de carreira 
com assertividade e clareza

 

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