Performance, foco e novos hábitos sem fórmulas, do seu jeito

 

Qual a melhor forma de conquistar seus objetivos? Um passo de cada vez ou correr como se estivesse numa maratona, aceleradamente?

 

Não existe resposta certa, depende do seu momento, do objetivo, do que você espera no final – não apenas o resultado, mas a construção de quem você é e de como chegará ao objetivo impactam diretamente nesta escolha de estratégia.

 

A diferença é que lentamente você irá construir habilidades e condicionamento para seguir sempre em frente, cada vez melhor. E correndo, você pode chegar mais rapidamente ao resultado, porém mais cansado e sem ter aproveitado o percurso.

 

Qual o certo e o errado, na vida? Não existe. Existe o que é certo para cada um de nós, e a cada etapa da vida e da carreira.

 

Tem períodos em que precisamos correr. Em outros, precisamos nos permitir experimentar, validar e aprender.

 

Uma coisa é certa: vivemos cada vez mais acelerados, com senso de urgência aflorado.

 

Tudo é pra já!

 

Com isso, muitas vezes não temos tempo de construir hábitos saudáveis e duradouros e nem de focar no que realmente é necessário e prioritário.

 

Os jovens saem das faculdades “prontos” para serem gerentes em 5 anos de carreira ou serem CEOs de uma startup famosa. E se consideram fracassados os que não conseguem. Só que a minoria consegue.

 

A maior parte dos profissionais terá que percorrer um caminho longo, passo a passo. E nem todos irão chegar ao final desta caminhada. Alguns porque desistem, veem que não era bem aquilo que queriam. Outros, porque sentem as dificuldades e limitações – inclusive as emocionais!

 

Um exemplo bem claro sobre como aceleramos a vida, nos últimos 30 anos: olhe para a alimentação, o famoso fast food. São vários elementos: praça de alimentação, delivery, restaurantes self service, produtos industrializados praticamente prontos, refeições congeladas. Tudo que nos dê praticidade, mas que nos leve a comer rápido e voltar pra atividade, seja ela em família, lazer ou trabalho.

 

A mensagem subliminar é: seja sempre mais produtivo!

 

E nós seguimos inventando mil formas de sermos mais produtivos, de aproveitarmos melhor cada segundo do dia – para então, acelerarmos mais ainda.

 

Só que com isso, também inserimos em nosso dia inúmeras ferramentas que apenas nos roubam tempo – como redes sociais mal utilizadas, excesso de aplicativos e eletrônicos, informações inúteis em demasia (afinal, como as pessoas viviam antes, sem ter um aplicativo que registra seu ciclo menstrual ou sem ver as últimas fotos na praia da moça que participou do BBB 2?).

 

Exemplos talvez fora da sua realidade, mas vale a reflexão: o que você vem fazendo ou consumindo que não te agrega nada?

 

 

Os dois principais pontos de atenção para quem quer conquistar qualquer objetivo: foco e hábito.

 

Foco:

Nem todo mundo nasce focado.

 

Eu sou um exemplo clássico disso, o que o teste MBTI chama de tipo N, os intuitivos. Abro a geladeira pra pensar, vou fazer algo e esqueço o que era no meio do caminho, me apaixono por novas ideias e esqueço das anteriores, começo a navegar pela internet em busca de algo importante e logo esqueço do que estava fazendo. Foco zero.

 

Mas o foco se constrói com: foco…rs. Isso mesmo.

 

Pergunta sobre foco, para você se fazer a cada etapa, dia, planejamento ou nova ação:

Onde isso me leva? Qual o meu objetivo com essa ação, o que terei/conquistarei quando concluir atividade. Faça esta pergunta quando ligar a TV e verá que em geral irá desligá-la, a não ser que o objetivo seja se informar ou descansar por algum tempo.

 

E aqui, vale a dica: a técnica POMODORO para aumento de foco.

 

Técnica Pomodoro é um método de gerenciamento de tempo desenvolvido por Francesco Cirillo no final dos anos 1980. A técnica consiste na utilização de um cronômetro para dividir o trabalho em períodos de 25 minutos, separados por breves intervalos

 

Passo-a-passo

  • Escolher e listar as tarefas a serem executadas;
  • Ajustar o cronômetro para o tempo desejado (geralmente 25 minutos);
  • Escolher a tarefa inicial;
  • Trabalhar na tarefa escolhida até que o alarme toque. Se alguma distração importante surgir, anotá-la e voltar o foco imediatamente de volta à tarefa;
  • Quando o alarme tocar, marcar um “x” na lista de tarefas;
  • Se houver menos de 4 marcações, fazer uma pausa curta (3-5 minutos);
  • Se houver quatro pomodoros marcado, fazer uma pausa mais longa (15-30 minutos), zerando a contagem de marcações e retornando ao passo 1.

As etapas de planejamento, controle de tempo, gravação de registros e visualização são fundamentais para a técnica.

Na fase de planejamento de tarefas, são priorizados os itens que devem ser feitos no dia. Isso permite que os usuários possam estimar as tarefas que exigem maior esforço. Como cada pomodoro refere-se a um período indivisível de 25 minutos, que deve ser registrado na lista, é possível fazer uma auto-observação de como o tempo é gasto.

Um objetivo essencial da técnica é reduzir o tempo das interrupções, adiando outras atividades que interrompam o pomodoro.

 

(fonte sobre Pomodoro: wikipedia)

 

 

Outra dica fantástica e simples pra aumentar seu foco:

Tenha um caderninho (físico ou virtual – eu uso o app Evernote) para registrar ideias e afazeres. Tire da cabeça o que não precisa estar nela, deixe seu HD cerebral leve para processar informações.

 

 

Hábito:

 

Dificilmente conseguimos manter um hábito quando começamos ele de forma muito intensa, de forma pesada. Um bom exemplo são os regimes.

 

Quem quer conquistar o objetivo de forma acelerada, opta logo por iniciar dietas bruscas, muito privativas. Precisa perder x quilos pra caber no vestido pra próxima festa, por exemplo. Com a privação, vem a vontade. Porque não existe um novo hábito saudável, existe a limitação de não comer o que gosta e está acostumado.

 

Agora, quem quer criar o hábito de melhorar a alimentação, reduz e restringe alimentos aos poucos, acostuma o paladar, faz substituições.

 

Eu fiz assim quando defini que não tomaria mais café com açúcar, por exemplo. Fui reduzindo o açúcar, me acostumando com o amargo, até que comecei a tomar café puro e fiz disso um hábito.

 

Na carreira, no desenvolvimento pessoal, vale a mesma lógica.

 

Quem não tem o hábito de ler e se propõe a ler 1 livro na semana, ou no mês, poderá ter dificuldade e desistir. Mas se esta mesma pessoa se desafiar a ler uma ou duas páginas por dia, o desafio será baixo, ela começará a leitura e poderá ir aumentando a quantidade de páginas, conforme o hábito de ler for se consolidando – e se tornando fácil.

 

Eu sempre uso esta técnica com clientes de coaching que precisam ajustar comportamentos no trabalho, tais como interagir mais com a equipe, falar menos em reuniões, ter mais foco ou até mesmo ligar para clientes. Um pouco todo dia e o novo comportamento virará hábito, e aos poucos irá se consolidando.

 

 

 

Conheça todas as teorias, mas entenda sobre você

 

Não existe regra que se aplique pra todo mundo, porém muitas vezes as pessoas tentam pegar modelos prontos e seguir firmemente – se deu certo pro outro, tem que dar certo pra mim. Só que eu sou eu, o outro é o outro (simples, né?).

 

Não somos máquinas, somos pessoas, cada qual com seu ritmo, necessidades, potencialidades.

Neste artigo falo um pouco mais sobre isso, se o tema te interessar:  Os robôs que tememos são os que nós nos tornamos

 

A comparação leva à competição, frustração e muitas vezes ao sentimento de inferioridade.

 

Precisamos entender que a competição é com a gente mesmo, não com os outros.

 

Que se eu me dedicar a ser melhor do que eu fui ontem, está bom. E que sim, também preciso descansar, respeitar o meu ritmo, meu momento.

 

Em geral, comparamos nosso momento atual, muitas vezes sem brilho, cheio de sombras, ao outro em seu melhor momento. É como se colocássemos o outro num pedestal, o tempo todo, e estamos sempre olhando de baixo, menores, inferiores.

 

Neste artigo falo sobre a competição desenfreada e o quanto isso tem nos feito mal. Sobre o canibalismo moderno e a nossa competição desenfreada

 

 

É como muitas mulheres que veem a foto da celebridade no instagram, com a barriga chapada, e começam processos pra ficar com aquele corpo e se sentem inferiores por terem alguns pneuzinhos ou estrias. Mas não enxergam as sombras do outro lado: a alimentação e privações necessárias, a equipe de profissionais que apoiam, o dinheiro e o tempo investido, a dedicação para aquilo acontecer. Querem a vida que tem – com trabalho, filhos, afazeres, mas com o resultado que o outro conquistou.

 

Na carreira é igual: muitos querem a vaga de gerente ou de CEO. E o percurso? As noites sem dormir, o nível de preocupações, a dificuldade em equilibrar a vida pessoal com o crescimento profissional, as privações, o investimento de tempo e dinheiro em desenvolvimento.

 

Considero que as nossas etapas de amadurecimento e aprendizado, na vida e na carreira, são iguais à jogos de vídeo game.

 

São fases que precisam ser vivenciadas e vencidas para que ganhemos experiência.

 

Não adianta iniciar o jogo lá pela 7a, 8a fase… você não saberá como ganhar dos monstros que surgem e nem como alcançar as estrelinhas de poder. Porque isso era aprendizado da fase 4 ou 5, se você acelera a fase, você ainda não aprendeu o suficiente para atravessá-la.

 

Assim como na carreira, você não pode começar de cima ou acelerar demais o processo de crescimento. Se o fizer, poderá faltar base.

 

É preciso investir em autoconhecimento para conhecer seu ritmo, suas necessidades de desenvolvimento e suas potencialidades, e assim, investir assertivamente em seu desenvolvimento contínuo.

 

Também é necessário construir as habilidades e conhecimentos, fase a fase, monstro por monstro, vitória ou recomeço, um após o outro.

 

E entender que cada pessoa tem potencialidades diferentes.

 

Algumas tem talento racional, entendem logo qual a melhor solução para um problema. Outras tem talento social, interagem facilmente, conseguem influenciar os demais em busca de resultados. Outros tem talentos físicos, unem destreza com força e habilidade física, por exemplo.

 

E que todos tem espaço, cada qual à seu tempo.

Uns correndo, outros caminhando.

 

 

Continue conectado...

Compartilhe!